Fruticultura melhora o padrão de vida
Cultivo de mamão garante renda estável e dá mais conforto a quem antes vivia de bicos

Jornal O Estado de São Paulo, 08 de setembro de 2004.

"Sou empresário rural, exportador de mamão", apresenta-se o vice-presidente da Associação Vale do Lírio 1, Anisio Zeferino Gomes. Da vida antiga, ele não gosta de lembrar. Eventualmente, era carpinteiro e recebia pouco mais de um salário mínimo por mês. "Hoje, tenho uma renda de mais de R$ 700 por mês, casa, carro, celular, crédito no banco e cheque." Há mês em que Gomes e os outros associados recebem até R$ 1.200. Todos os dias, ele espera o jornal da noite na TV, para saber o valor do dólar, que baliza o preço do mamão. "Na associação, há dois computadores, mas não temos linha telefônica", justifica. "Não temos como acessar a internet para saber a cotação internacional do mamão."

Área coletiva[/INTERTITULO] - A área é coletiva e os lucros são divididos igualmente. As retiradas mais baixas devem-se à aquisição de novas áreas para cultivo e ao investimento em insumos para aumentar a produção, no total de R$ 250 mil. Com o dinheiro, eles compraram a terra, fizeram o preparo do solo, o sistema de irrigação, a adubação e plantio. "Reservamos R$ 50 mil para a colheita." Pelos seus cálculos, esses recursos devem gerar mais de R$ 1 milhão. Sempre que o grupo investe pela primeira vez em uma área, o custo é alto, diz Gomes, por causa da irrigação. O abastecimento para irrigar vem de quatro poços, com vazão de 110 mil litros/hora, que levam a água até um reservatório com capacidade de 250 mil litros.

O presidente da associação, Antonio Vieira, que antes trabalhava na Usina Estiva, conta que entrou no projeto do Incra para ganhar a terra. Aprendeu a cuidar dela e conta que a terra é bem preparada, com as correções e os adubos necessários, além de sementes de boa qualidade. O manejo diário da cultura é bem dividido entre o grupo. "Todos fiscalizam e exigem o cumprimento das tarefas", afirma a assentada Maria Teluzia, que cuida da parte administrativa e da contabilidade.

O pomar é irrigado diariamente, cessando apenas quando chove. Três assentados, em turnos de oito horas, entre eles Maria e Gomes, revezam-se para manter constante a irrigação. A cada hora, eles têm de mudar a chave do equipamento para levar a água para outra área de 3 hectares de mamão. Eles recebem um salário mínimo só para controlar a irrigação.

Equilíbrio[/INTERTITULO] - Quem chega ao assentamento surpreende-se com os cuidados relacionados ao meio ambiente. Tudo foi bem planejado. Como fôra previsto no projeto, faixas de vegetação de 50 metros de capoeira separam cada área de mamoeiro. "É a área de proteção", diz Vieira. Cada família possui uma área de 1 hectare para plantio de subsistência. As mulheres têm planos de montar uma fábrica de doces de mamão, caju, batata-doce e leite. "Também vamos plantar abobrinha e batata-doce para exportar", diz Maria. (B.M.)